Blog do Döll



  • 17/03/2017
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Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia

Desde os primórdios, o ser humano sempre buscou o aperfeiçoamento das técnicas para calcular e se comunicar. 2400 anos a.C, os mesopotâmicos deram o primeiro passo em direção à ciência da computação, criando o primeiro artefato mecânico com o intuito de facilitar a realização de cálculos aritméticos. O ábaco, usado até hoje para ensinar às crianças as operações de somar e subtrair, é considerado precursor do computador.

1946 anos d.C, um computador com 30 toneladas, 5 metros de altura, 25 metros de comprimento e 17.468 válvulas fazia as luzes de Filadélfia piscar ao ser acionado pela primeira vez. No ano seguinte, nascia no Brasil o Mineirinho de Ouro, como ficou conhecido Tostão, integrante do mitológico ataque da seleção que conquistaria o tricampeonato mundial nos gramados mexicanos. Enquanto isso, nos EUA, nascia o telefone celular.

O século 19 atingia sua metade, a expectativa de vida mundial era de 46 anos e para cada aposentado, havia 18 contribuintes. No início da segunda metade do século, o conflito entre o socialismo e o capitalismo da guerra fria obriga o governo norte-americano a desenvolver um sistema para que seus computadores pudessem trocar informações entre si. Esse sistema ficou conhecido como Internet.

Tarde fria de quarta-feira, 7 de agosto de 1991, o inglês Tim Berners-Lee considerado um dos maiores gênios vivos do mundo, publicava pela primeira vez um website na Internet. Enquanto a TV leva 13 anos para atingir 50 milhões de pessoas ao redor do globo, a Internet leva 4. Quarenta por cento dos jovens passam a assistir menos TV e o país do carnaval e do futebol passa a ser recordista mundial em tempo de navegação mensal por usuário conectado.

Donga, autor do primeiro samba gravado, ficaria estupefato ao ver sua composição disponível pelas teias da grande rede mundial. Terra em transe, drama de Glauber Rocha, tornava-se atração online. A Internet passa a ser um grande sistema de estocagem de conhecimento, uma tecnologia libertária. Tal como o telefone de Bell e a imprensa de Gutemberg, permite aos indivíduos terem mais controle do próprio destino do que serem controlados por uma minoria.

Relações de trabalho são reinventadas, consequência do avanço das tecnologias de informação e comunicação. Fábricas e escritórios são realocados para outros países. Serviços de folha de pagamento, contabilidade e atendimento são executados no outro lado do planeta. Profissionais de tecnologia passam de empregados a prestadores de serviços. Tornam-se empreendedores. Constituem empresas onde o maior o investimento é o capital intelectual. Trabalham de casa, evitam as Marginais do Rio Tietê e Pinheiros, economizam 32 dias por ano, fazendo seus horários e trabalhando remotamente.

Nasce, portanto, o setor quaternário da economia, onde se concentram as atividades de maior densidade intelectual e criatividade. Seres da tecnologia, do software, da consultoria, da educação, do entretenimento, da cultura, do design e da moda. Há quem diga que 50% das profissões que existirão nos próximos 5 anos ainda nem sequer foram inventadas. Admirável mundo novo, dinâmico, interdisciplinar, globalizado, conectado, flexível e inseguro. Insegurança que nos obriga a criar, pensar, questionar e, sobretudo, aprender a aprender.

A maior lição desta era digital não é a exponencial evolução tecnológica e sim, a consciência do exercício do livre-arbítrio. Como seres humanos, somos dotados de liberdade de escolha e não podemos culpar a tecnologia pelos males da humanidade. Assim como ela, nós, humanos, precisamos evoluir. Consciência de evolução é, talvez, a principal reflexão deste ensaio. Portanto, meus caros, avancemos, ao infinito e além!


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