Blog do Döll



  • 10/04/2017
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Por que as pessoas de sucesso erram tanto?

Em tudo que fazemos na vida, sobretudo quando estamos no início, temos um enorme receio de fracassar. Ao começar este texto, fiquei me perguntando:

  • Será que alguém vai ler isso?
  • Faz sentido escrever sobre este tema?
  • Este assunto realmente rende um texto de blog?

Temer em demasia o fracasso é inibir nosso lado criativo. Passamos a ter medo de criar qualquer coisa. Até uma receita nova pro jantar de sábado gera um frio na espinha. A falha deve ser nossa amiga, devemos nos acostumar com ela. Quando passamos a tratar o erro como oportunidade de evolução sentimos paz. Se tiver que recomeçar, recomece. Você já deve ter lido aquela famosa frase de Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Lembre,  o fracasso costuma ser o melhor professor.

Em 1956, o inventor norte-americano Wilson Greatbatch trabalhava no projeto de um aparelho para registrar batimentos cardíacos. Ao colocar um componente errado, percebeu que, ao invés de captar dados, o equipamento mandava sinais elétricos. Nascia o marcapasso, aparelho que corrige a falta de impulsos ao, justamente, emitir sinais elétricos quando o coração perde o ritmo. Equívocos também motivaram progressos consideráveis ao longo da história.

Posto que o erro é algo comum, o próximo passo é gerir o erro. Isso mesmo! E o melhor critério de gestão dos erros, é administrar o tempo que você permanece errando. No mundo do empreendedorismo, se tornou famoso um termo, chamado no ‘corporativês’ de  MVP, que significa Minimum viable Product, ou Produto Mínimo Viável. O MVP é uma espécie de protótipo para testar se a ideia corresponde mesmo a um produto interessante na vida real ou é apenas uma expectativa utópica do empreendedor.

Sem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento onde moravam em São Francisco, Califórnia, os estudantes de design Nathan Blecharczyk, Brian Chesky e Joe Gebbia decidiram criar um site para oferecer hospedagem e, com isso, gerar uma receita para sair do sufoco. Para se parecer mais com um hotel, decidiram agregar valor ao serviço, disponibilizando um colchão de ar que tinham e oferecendo café da manhã. Surgiu o AirBnB, ou Airbed and Breakfast (Colchão de ar e café da manhã). O site que oferecia o serviço foi criado em uma noite e no dia seguinte três pessoas já registravam interesse no serviço.

Qual o conceito, portanto, de um MVP? Muito simples: testar algo sem gastar muito. No caso do AirBnb, que hoje é a maior rede de hotéis do mundo sem ter um único hotel, os designers perceberam a validade da ideia sem gastar tempo nem dinheiro. Este mesmo conceito de MVP pode ser aplicado em nossas vidas, mesmo que não seja voltado à criação de negócios ou startups. Um famoso blogueiro relatou, certa vez, que antes de escrever um post completo, ele escreve no twitter sobre o assunto e acompanha a repercussão. Se houve engajamento, ele continua com o post. Caso contrário, aborta a ideia. Se o post fez sucesso, que tal um livro? Os marqueteiros costumam recomendar: “promovam antes de produzir”.

A sacada é descobrir o erro mais cedo possível. Costumo perguntar aos meus alunos que estão se formando, quantos escolheriam novamente a mesma graduação caso pudessem recomeçar. Fico impressionado quando um aluno de computação me conta que faria direito ou educação física. Talvez tenha escolhido o curso simplesmente porque gosta de games. Nos primeiros semestres já dá pra ter uma ideia se o curso faz parte do projeto de vida ou não. Muitos pais ignoram a insatisfação dos filhos, fazendo-os concluir a duras penas os cinco anos da graduação para depois realmente se dedicarem ao que realmente amam.

Errar é normal. Escolher uma carreira errada com 17 anos de idade, então, é o erro mais normal de se cometer. O problema é o tempo que continuamos a insistir com o erro. Cinco anos de uma graduação às vezes é muito tempo para concluirmos o ciclo, aliviados, e perceber que não é aquilo que queremos da vida. Gosto de ciclos curtos, que nos permitem mudar o posicionamento com mais eficiência. No empreendedorismo, chamamos isso de pivotamento. O verbo pivotar vem do verbo “to pivot” que significa girar. Quem pivota muda de negócio. É a coragem de uma mudança de 180 graus que muitas vezes precisamos para seguir em busca do que unicamente vale: a felicidade.

Na vida tudo é beta. Talvez você já tenha ouvido esta frase. Beta é a versão de um produto, normalmente software, que ainda está em fase de testes ou desenvolvimento. Somos todos betas, portanto. Criar protótipos e esboços é fundamental para desenvolver uma ideia inicial. O grande desafio é saber o ponto de tirá-lo do “laboratório” e colocá-lo à venda. Há quem diga que a Microsoft é especialista neste assunto. Logo que lança uma nova versão do sistema operacional, muitos erros são descobertos nas primeiras semanas. Quem descobre são os próprios usuários, os early adopters que relatam à empresa as inconsistências encontradas permitindo os ajustes necessários para correção.

Quem espera que um novo negócio ou projeto esteja perfeito até lançar no mercado, em geral, fracassa. Feito é melhor do que perfeito ou ainda, o ótimo é inimigo do bom. É sempre melhor começar do ponto em que se está do que esperar até que tudo esteja perfeito. Quando se pensa em novos negócios, antes de mirar inovação, pense em utilidade. Ou você acha que o AirBnb é um negócio extremamente inovador?

As startups começaram a perceber que escrever um plano de negócios completo era um problema. Quando terminavam de escrever, a ideia, o propósito ou a estratégia já tinham mudado. Não conheço um empreendedor que tenha escrito um plano de negócios completo e implementado tal qual estava no papel. Surgiu o Canvas, um modelo simplificado de plano de negócios. Mais objetivo e sobretudo, visual, permite mudanças mais dinâmicas e oferece possibilidade de atualização diária quando colado no formato de post-its em um mural.

A indústria de software também se modernizou. As modelagens extensas e formais deram lugar às metodologias ágeis. Ao invés de descrições intermináveis de requisitos, cartões de história simplificados. Menos reuniões intermináveis e cansativas sobre os projetos e mais “stand up meeting” (reuniões em pé). A metodologia Scrum, originária na engenharia de software, passou a ser modelo para outras indústrias.

Perceber o problema mais cedo, portanto, é o X da questão. Michio Kaku, cientista norte-americano insiste em fazer uma afirmação intrigante: “A palavra câncer será extinta dos dicionários nos próximos anos.” E qual é a explicação? Simples: os dispositivos tecnológicos, muitos deles integrados ao nosso corpo, nos notificarão de qualquer anomalia celular que esteja iniciando. Afinal, sabemos, o problema não é o câncer, mas o momento em que ele é descoberto.

Com um poema de Bruna Alencar, encerro este ensaio e espero que ele tenha sido motivo para sua reflexão.

“Errar é humano, permanecer no erro é burrice;

Tentar se erguer de novo é para os bons;

Permanecer no passado é para os fracos;

Vingança não traz nada de bom;

O perdão é Divino e os bons de coração os tem;

Sofrer, assim como ser Feliz é uma escolha individual”

SEJA FELIZ!


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